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Saúde

Consumo de narguilé aumenta no Brasil

A inalação da nicotina filtrada pela água gera uma falsa sensação de segurança para a saúde; mas autoridades alertam para os riscos graves e até mortes

14 julho 2021 - 18h23Por Elisângela Silva Bispo Lima

Numa roda de amigos ou em particular; numa balada ou mesmo na tabacaria. O prazer momento de inalar narguilé vem se popularizando pelo Brasil, especialmente no Centro-Sul. Os jovens são os que mais têm aderido à modalidade de fumo inalado. Mas, o que pode parecer inofensivo, esconde um mal bem maior do que se pode imaginar. 

O narguilé ou cachimbo d’água, como é mais conhecido, é um objeto utilizado para fumar. Uma mistura de tabaco é aquecida no interior do cilindro e a fumaça gerada passa por um filtro de água antes de ser aspirada pelo fumante, por meio de uma longa mangueira.

O fato que passar pela água, antes de ser inalado, gera no público consumidor a falsa segurança de que isso não causa males à saúde. Mas é um tremendo engano.

O Ministério da Saúde, juntamente com médicos do Instituto Nacional do Câncer alertam que uma sessão de narguilé é como fumar 100 ciagarros de uma só vez. E o número de adeptos, geralmente, aumenta com a chegada do inverno.

Uma pesquisa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatatística (IBGE) apontou que existem mais de dois milhões e meio de usuários de narguilé no país. Os dados são de 2019, mesmo ano em que a Campanha do Dia Nacional de Combate ao Fumo (29 de agosto) trouxe como tema: “TABACO OU SAÚDE – O USO DO NARGUILÉ”. 

Segundo a Revisão da Classificação Estatística Internacional de Doenças e Problemas Relacionados à Saúde (CID-10), as doenças relacionadas ao tabagismo são classificadas como fazendo parte daquelas que causam “transtornos mentais e comportamentais em razão do uso de substância psicoativa”. Essas doenças relacionadas ao fumo também são consideradas a “maior causa isolada evitável de adoecimento e mortes precoces em todo o mundo”, de acordo com o Manual de Orientações do Dia Nacional de Combate ao Fumo 2019.

Algumas das substâncias tóxicas presentes nas essências usadas para a inalação do tabaco são descritas como irritativas dos olhos, nariz e garganta, e o mais grave de todos: pode causa a paralisia dos brônquios.

O Estado de São Paulo é o maior consumidor de narguilé no Brasil. Só em 2020 foram abertas mais de 1600 tabacarias. Mas Curitiba e a região metropolitana não estão longe disso. É cada vez mais comum encontrar essas tabacarias para “apreciadores” desse tipo de fumo, especialmente nesse período de inverno, quando as temperaturas mais baixas são registradas.

A quantidade de fumantes pela capital paranaense, principalmente pessoas jovens, também chama a atenção. Dados do Instituto Nacional do Câncer (INCA), indicam que já em 2012 “a prevalência do uso de produtos derivados de tabaco, entre eles o narguilé, foi estudada entre 425 estudantes matriculados no curso de Odontologia de uma universidade privada de Curitiba, dos quais 105 eram homens e 320, mulheres”. 

A inalação da nicotina também altera funções do sistema nervoso central, causando transtornos no estado emocional e comportamental do fumante. Esses efeitos são comparados aos causados pelo uso frequente da cocaína, heroína e álcool.

O problema é que a inalação do tabaco faz liberar neurotransmissores no cérebro que dão a sensação de prazer ao fumante, o que deixará em situação de dependência se o uso for frequente, já que uma sessão de narguilé pode durar horas.

Fica o alerta, pois o risco de câncer de pulmão é bem alto, tanto quanto é alto no consumo do cigarro convencional. E com a pandemia, o risco de transmissão do coronavírus, no compartilhamento da mangeuria do narguilé, traz ainda mais preocupação às autoridades sanitárias, conforme alerta da Secretaria de Estado de Justiça e Cidadania (Sejus), do Distrito Federal.